No Segundo Domingo da Quaresma, a liturgia nos conduz ao alto do monte da Transfiguração (cf. Mt 17,1-9), onde os discípulos contemplam Jesus transfigurado. A luz que resplandece em seu rosto revela a beleza do Filho amado e antecipa a glória da Ressurreição. Essa experiência não é fuga da realidade, mas força para descer o monte e enfrentar os desafios da cruz.
À luz da encíclica Laudato Si’, do Papa Francisco, somos chamados a compreender que a verdadeira transfiguração começa no coração humano. A contemplação de Cristo nos educa o olhar para reconhecer também a criação como reflexo da glória de Deus. Se o rosto de Jesus resplandece, também a “Casa Comum” é chamada a resplandecer quando cuidada com amor e responsabilidade.
Assim, este domingo nos convida à conversão ecológica: subir o monte da oração, escutar a voz do Pai — “Este é o meu Filho amado, escutai-o” — e descer transformados, comprometidos com atitudes concretas de cuidado, justiça e sobriedade. Transfigurar o mundo começa por permitir que Cristo transfigure nossas relações com Deus, com os irmãos e com toda a criação.





